Denise Fontoura

Psicóloga pós-graduada em Psicopedagogia.

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sábado, 26 de maio de 2012

Seu filho tem problema de aprendizagem?

Quase todos nós temos alguma dificuldade ao aprender e em boa parte ela é ocasionada por problemas de ensino, e não biológicos. Hoje sabemos que o cérebro não aceita uma informação de qualquer jeito. Seus processos requerem modos especiais de lidar com o que será aprendido, e quanto mais o ensino for a seu favor, melhor será a aprendizagem. Todavia, as instituições escolares ou familiares ainda se utilizam de modos de ensinar que vão contra os mecanismos cerebrais de aprendizagem, dificultando a sua elaboração e dando início a uma série de problemas como a dificuldade de adquirir e organizar o conhecimento, a falta de concentração e atenção, o desinteresse, a desorganização, a desmotivação, as notas ruins, entre outros.

Mas como saber se é problema de ensino ou biológico? É preciso investigar.

Comecemos por ter atenção à sub ou à superdiagnosticação dos problemas. Muitas crianças têm diferenças biológicas importantes e passam desapercebidas, enquanto outras com  problemas de ensino, ou ainda de educação familiar, acabam sendo diagnosticadas como crianças portadoras de algum transtorno e medicadas como tal.

Enquanto o problema de ensino resulta de uma didática que vai contra os mecanismos “normais” do cérebro, interferindo na aquisição, armazenamento e evocação da aprendizagem, o problema de aprendizagem biológico, como chamo, é aquele ocasionado por mudanças no desenvolvimento do sistema nervoso, tornando-o diferente, e dependente de modos de ensinar e de aprender ainda mais específicos e especiais, como é o caso da criança com Transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH), Dislexia, Autismo, Deficiência Intelectual, Portadora de Altas Habilidades (PAH) entre outros. Ambos os casos merecem atenção.

Observe, sem exagerada preocupação, se o seu filho tem um comportamento diferente e/ou­ tem problema recorrente ao aprender. Se sim, cuidado com os palpites, com os diagnósticos populares, com os remédios sem indicação médica. Melhor procurar um neurologista de sua confiança e, de preferência, que ele participe de uma equipe transdisciplinar, aquela que avalia o seu filho como um todo. Se ele for diagnosticado com algum transtorno, estude o “problema”, e busque modos de agir que respeitem as suas diferenças, que o ajudem a enfrentar os desafios diários, a desenvolver capacidades e habilidades, sem protegê-lo, mas preparando-o, dentro de suas possibilidades, para uma inserção social digna, inclusiva e transformadora.

E lembre-se, todos têm capacidade de aprender e de se desenvolver. Todos. Basta oportunidade adequada e motivação.



Fonte: Pais & Filhos

domingo, 6 de maio de 2012

Como ajudar as crianças a superar seus medos

Do quarto escuro à morte, descubra como conversar com seu filho sobre o que causa pesadelos para ele.


Os medos e suas fases


Eles estão ligados a etapas específicas do desenvolvimento, e o modo e a intensidade variam de criança para criança – têm relação com a personalidade dela, a dos pais, entre outros fatores. Com o crescimento e a maturação cognitiva e emocional, seu filho vai encontrando estratégias eficazes para lidar com os medos, mas sua ajuda é fundamental, claro.


Conheça alguns dos principais medos, de acordo com a idade do seu filho. E aprenda a lidar com eles: 


ATÉ 7 MESES
De barulhos inesperados e luzes fortes.

- Para ajudar: Evite expor a criança a qualquer estímulo intenso. Se não for possível, faça de maneira suave e verifique como ela reage.

DE 7 MESES A 1 ANO E MEIO
De pessoas, ambientes e objetos novos; de perder os pais, pois acham que pessoas desaparecem quando não estão ao alcance de seus olhos.

- Para ajudar: O pai, a mãe ou o cuidador devem estar presentes quando o bebê for exposto a situações novas.

DE 1 ANO E MEIO A 3 ANOS
Do escuro, de pessoas com máscaras ou fantasias, de ficar sozinho.

- Para ajudar: Ao encontrar alguém fantasiado, aproxime-se devagar e mostre que é apenas uma roupa diferente. Se ele não gostar, não force.

DE 3 A 5 ANOS
De monstros, fantasmas, da escuridão, de animais, chuva, trovão, de se perder.

- Para ajudar: Respeite a criança, permitindo que se expresse, e explique que nada lhe acontecerá de mal. Quanto ao medo de se perder, faça-a decorar o nome inteiro e o telefone de casa e a ensine a pedir ajuda. Ela se sentirá mais segura.

A PARTIR DOS 5 ANOS
De ser deixado na escola, de bandido, de personagens de terror.

- Para ajudar: Insegurança melhora com diálogo. Se o medo for de bandido, reforce, por exemplo, a importância de ficar perto de adultos conhecidos. Para a criança se sentir segura, diga que alguém sempre estará cuidando dela na escola.

A PARTIR DOS 6 ANOS
Da própria morte e da dos pais, pois já a entende como algo irreversível; de ser criticado.

- Para ajudar: Se houver perguntas sobre morte, não invente histórias absurdas, diga a verdade de forma delicada. E quanto às críticas: explique que elas nos ajudam a melhorar.



Fonte: Revista Crescer